JUNHO – 15/2026
AVISTAR 2026 E O FORTALECIMENTO DO BIRDWATCHING EM RONDÔNIA
No aniversário de 20 anos do AVISTAR, a Proaves Rondoni Birding apresentou ao público especializado o potencial ornitológico de Rondônia e da Amazônia Sul-Ocidental para expedições de observação de aves.
Rondônia presente no AVISTAR 2026
A participação da Proaves Rondoni Birding no AVISTAR BRASIL 2026 (Encontro Brasileiro de Observação de Aves) marcou mais um importante capítulo na trajetória de divulgação do birdwatching de Rondônia no principal encontro de observação de aves da América Latina. Realizado entre os dias de 15 a 17 de maio de 2026, no Jardim Botânico de São Paulo, o evento celebrou seus 20 anos reunindo observadores, pesquisadores, fotógrafos, operadores, instituições e iniciativas voltadas à conservação, turismo de natureza e ciência cidadã.
Convidada pela SETUR-RO, para colaborar diretamente nas atividades do stand institucional de Rondônia, a Proaves Rondoni atuou durante toda a programação do evento no atendimento e recepção do público durante toda a programação do evento, apresentando roteiros especializados estruturados a partir do “hub” Porto Velho — município que atualmente ultrapassa a marca de 700 espécies de aves registradas e que se consolida, gradualmente, como uma das principais portas de entrada para expedições de birdwatching na Amazônia Sul-Ocidental.
O stand institucional, destinado aos colaboradores e representantes do trade turístico do estado, objetivou divulgar e promover o segmento do turismo de observação de aves, fortalecendo a imagem de Rondônia como destino turístico e ampliando sua visibilidade no cenário nacional.
Porto Velho como “hub” estratégico para o birdwatching amazônico
Os roteiros apresentados conectam diferentes regiões de Rondônia e áreas do sul do Amazonas, abrangendo um mosaico biogeográfico singular, formado por transições entre florestas amazônicas, campinaranas, várzeas, igapós, ambientes ribeirinhos e áreas de influência do Cerrado. Esse conjunto de ambientes permite o registro de espécies endêmicas, raras, ameaçadas e migratórias, despertando crescente interesse entre observadores nacionais e internacionais.



A prática do birdwatching vai além do reconhecimento simbólico: exige preparo, condução técnica e consistência em campo. Fotos: Glauko Corrêa
Além da divulgação dos destinos e espécies-alvo, o contato com o público possibilitou apresentar aspectos técnicos relacionados à sazonalidade, logística de expedições, acessibilidade regional e potencial de integração entre turismo de observação de aves, conservação da biodiversidade e valorização dos territórios amazônicos.
AVISTAR: conexões além do ambiente acadêmico
Ao longo de seus 20 anos, o AVISTAR consolidou uma característica própria dentro do cenário da observação de aves no Brasil: a capacidade de aproximar diferentes perfis de participantes em um ambiente menos formal e mais integrador do que os tradicionais congressos científicos acadêmicos. Embora o evento mantenha uma importante base técnica e científica — com palestras, apresentações, debates e participação de pesquisadores e instituições — sua dinâmica permite maior interação entre observadores, guias, fotógrafos, operadores de turismo, estudantes e entusiastas da natureza.
Essa característica torna o AVISTAR um espaço particularmente estratégico para iniciativas ligadas ao birdwatching e ao turismo de natureza, pois aproxima conhecimento científico, experiências de campo, mercado turístico, conservação e ciência cidadã de maneira mais acessível e fluida. Para a Proaves Rondoni, essa pluralidade de conexões representa uma oportunidade relevante para apresentar o potencial ornitológico de Rondônia diretamente a um público diverso e altamente interessado na biodiversidade brasileira.



A diversidade de temas dos stands, expressões culturais, empresas estrangeiras, possibilitou ampliar network para futuras expedições na região da Amazônia Sul-Ocidental, com foco na observação de aves do estado de Rondônia e região sul do Amazonas. Fotos: Anne Karoline | Proaves Rondoni Birding.
Além do caráter técnico e institucional, o AVISTAR também possui uma dimensão fortemente voltada ao reencontro e à construção de relações dentro do universo da observação de aves. A cada edição, o evento reúne profissionais de diferentes regiões do Brasil e do exterior, criando oportunidades para rever amigos, colegas de profissão, pesquisadores, guias, fotógrafos e operadores que atuam diretamente no segmento do birdwatching.
Essa convivência amplia as possibilidades de troca de experiências de campo, discussão sobre destinos, atualização de informações sobre espécies e fortalecimento de redes profissionais ligadas ao turismo de natureza. O ambiente do AVISTAR favorece ainda o contato com empresas e iniciativas de segmentos distintos — como equipamentos ópticos, fotografia, hospedagem, transporte, tecnologia, conservação e comunicação ambiental — mas que convergem diretamente com o turismo de observação de aves.
Outro aspecto marcante do evento é a possibilidade de observar espécies típicas da Mata Atlântica durante as atividades paralelas e saídas de campo realizadas na região de São Paulo. Para muitos participantes vindos da Amazônia, Cerrado ou outras regiões do país, o AVISTAR também se torna uma oportunidade de contato direto com aves características desse importante bioma brasileiro, ampliando repertórios e experiências pessoais dentro da prática do birdwatching.
Birdwatching, criatividade e identidade regional
A edição de 2026 do AVISTAR também evidenciou como o universo da observação de aves dialoga com diferentes formas de expressão criativa e iniciativas associadas ao turismo de natureza. Ao longo do evento, diversos expositores apresentaram produtos voltados ao público do birdwatching, incluindo equipamentos ópticos, publicações, fotografia, arte e artesanato temático inspirado na avifauna brasileira.
Nesse contexto, a pedido da Proaves Rondoni, foi lançado a uma expositora especializada em artesanato “amigurumi”, que consiste na técnica japonesa para criar pequenos bonecos, animais e objetos tridimensionais usando crochê ou tricô, o desafio de desenvolver o primeiro chaveiro inspirado na Marianinha-de-cabeça-amarela — espécie emblemática da Amazônia brasileira e ave símbolo da própria Proaves Rondoni.



“Ararajuba” e a “Marianinha-de-cabeça-amarela”, feitos em técnica japonesa “amigurumi”. Essa demonstração mostra como o birdwatching dialoga com educação ambiental, sensibilização pública, criatividade e construção de identidade em torno das espécies e territórios amazônicos. Fotos: Anne Karoline | Proaves Rondoni Birding.
Associada aos debates atuais sobre conservação e proteção de espécies amazônicas ameaçadas, a Marianinha-de-cabeça-amarela possui forte significado dentro da identidade institucional da Proaves Rondoni, representando não apenas a biodiversidade regional, mas também o compromisso da iniciativa com o birdwatching, a ciência cidadã e a valorização da avifauna amazônica.
O trabalho artesanal foi elaborado com grande cuidado e dedicação, buscando representar de maneira delicada e fiel uma das aves mais simbólicas relacionadas aos esforços de conservação na Amazônia brasileira. Mais do que um simples item temático, a iniciativa demonstrou como o birdwatching também pode dialogar com educação ambiental, sensibilização do público, criatividade e construção de identidade em torno das espécies e territórios amazônicos.
O encontro anual da equipe de moderação do eBird Brasil
A programação do AVISTAR 2026 também foi marcada pelo encontro anual da equipe de moderação do eBird Brasil, reunindo revisores e colaboradores de diferentes regiões do país em um momento estratégico voltado ao alinhamento técnico e ao aprimoramento contínuo da plataforma no cenário brasileiro.
Atualmente, o eBird consolidou-se como uma das mais relevantes ferramentas de ciência cidadã aplicadas à ornitologia mundial, permitindo que observadores contribuam diretamente para a geração de dados sobre distribuição geográfica, sazonalidade, migração, abundância e ocorrência de espécies. No Brasil — especialmente em regiões megadiversas e historicamente subamostradas, como grande parte da Amazônia — a plataforma possui importância crescente para pesquisa, conservação, monitoramento ambiental e documentação da biodiversidade.
Durante o encontro foram discutidos temas relacionados à curadoria e validação de registros, incluindo filtros regionais de espécies, tratamento de listas históricas, consolidação de hotspots, revisão de ocorrências raras e padronização de critérios técnicos utilizados pelos revisores. Em um país de dimensões continentais e elevada complexidade biogeográfica como o Brasil, essas discussões possuem papel fundamental para garantir maior consistência e confiabilidade aos dados gerados pela comunidade de observadores.


Apresentação dos temas abordados e equipe eBird Brasil – AVISTAR 2026. Foto: Anne Karoline | Proaves Rondoni Birding.
O encontro anual da equipe de moderação do eBird Brasil
Entre os temas de maior relevância debatidos durante o encontro esteve o avanço das ferramentas de Inteligência Artificial aplicadas à produção e edição de conteúdos naturalísticos, especialmente fotografias de aves, e os desafios que essas tecnologias começam a impor à documentação dentro da ornitologia e do birdwatching.
A rápida popularização de sistemas automatizados de edição vem ampliando significativamente a capacidade de alterar fotografias de natureza, muitas vezes indo além de ajustes convencionais de exposição, contraste ou nitidez. Atualmente, determinadas ferramentas conseguem reconstruir texturas, modificar padrões de plumagem, alterar iluminação, substituir fundos, remover elementos e até reinterpretar características anatômicas das aves registradas em campo.
Embora parte dessas tecnologias possa auxiliar em melhorias técnicas legítimas da imagem, as discussões no encontro destacaram a preocupação crescente com a artificialização excessiva dos registros, especialmente quando intervenções digitais passam a modificar elementos diagnósticos importantes para identificação das espécies.
Em plataformas como o eBird, fotografias frequentemente possuem valor que ultrapassa o aspecto estético. Em muitos casos, elas funcionam como documentação científica associada à validação de espécies raras, registros inéditos, ampliações de distribuição geográfica, ocorrências migratórias e listas históricas. Alterações excessivas ou pouco transparentes podem comprometer justamente a integridade documental dessas informações.
Discussões semelhantes também vêm sendo observadas em outras importantes plataformas ligadas à documentação da avifauna brasileira, como o WikiAves — considerado atualmente um dos maiores bancos colaborativos de registros fotográficos e sonoros de aves do país. O WikiAves possui enorme relevância para a ornitologia brasileira ao reunir milhões de registros produzidos por observadores, fotógrafos e pesquisadores, contribuindo diretamente para a documentação de distribuição geográfica, comportamento, vocalizações e ocorrência de espécies em diferentes regiões do Brasil.
Para Rondônia, tanto o WikiAves quanto o eBird possuem importância estratégica, especialmente diante da ainda grande necessidade de ampliação da documentação ornitológica no sudoeste da Amazônia. Grande parte dos registros recentes de espécies no estado, incluindo ocorrências raras, ampliações de distribuição e documentação fotográfica inédita, encontra-se diretamente associada ao crescimento do uso dessas plataformas por observadores locais e visitantes. Importante esclarecer que as demais plataformas também contribuem para fortalecer e estabelecer o conhecimento ornitológico de Rondônia.
Outro ponto amplamente debatido envolveu os limites éticos relacionados ao uso dessas ferramentas. Em um cenário onde a Inteligência Artificial avança de maneira extremamente acelerada, cresce também a necessidade de estabelecer maior conscientização sobre responsabilidade documental, transparência nas edições e preservação da autenticidade dos registros naturalísticos.
A preocupação central não está apenas na estética da fotografia, mas na manutenção da credibilidade dos dados associados à ciência cidadã. Em um ambiente onde milhões de registros são utilizados para análises ecológicas, modelagem de distribuição, planejamento de conservação e produção científica, preservar a confiabilidade da informação tornou-se uma questão cada vez mais sensível.


Membros moderadores e revisores do eBrid Brasil e WikiAves – AVISTAR 2026. Fotos: Anne Karoline.
Dentro desse contexto, a Proaves Rondoni entende que discussões semelhantes também tendem a alcançar, futuramente, o universo das gravações sonoras e vocalizações de aves, especialmente diante do rápido avanço de ferramentas de IA capazes de editar, reconstruir ou gerar sons de forma cada vez mais sofisticada. Embora esse tema específico não tenha sido abordado diretamente durante a reunião da equipe de moderação do eBird Brasil, trata-se de uma reflexão considerada relevante diante da crescente importância da documentação bioacústica para identificação de espécies, validação de registros e produção de conhecimento ornitológico.
Outro aspecto discutido durante o encontro foi a necessidade de amadurecimento coletivo da própria comunidade de observadores, fotógrafos e produtores de conteúdo ligados à natureza. O crescimento do birdwatching no Brasil vem acompanhado por uma expansão expressiva na produção e compartilhamento de imagens, tornando cada vez mais importante o debate sobre ética, responsabilidade documental e confiabilidade dos dados associados à ciência cidadã.
Para Rondônia, essas discussões assumem relevância ainda maior diante da expansão recente da atividade de observação de aves no estado. O aumento no número de listas submetidas, hotspots ativos e registros fotográficos vem contribuindo diretamente para ampliar o conhecimento sobre a avifauna amazônica no sudoeste da Amazônia brasileira, fortalecendo inventários regionais e consolidando novas áreas de interesse para pesquisa e birdwatching especializado.
Nesse contexto, a participação da Proaves Rondoni no encontro reforça a importância da integração entre turismo de observação de aves, ciência cidadã e produção de dados qualificados, demonstrando como o birdwatching contemporâneo ultrapassa a dimensão recreativa e assume papel relevante na geração de conhecimento, monitoramento ambiental e conservação da biodiversidade.
A trajetória da Proaves Rondoni nos AVISTAR desde 2023
Mais do que uma vitrine de destinos, o AVISTAR segue representando um importante espaço de construção de conexões e fortalecimento institucional do birdwatching brasileiro. Para a Proaves Rondoni, a edição de 2026 também simboliza a continuidade de uma trajetória iniciada nos AVISTAR anteriores, especialmente a partir de 2023, período em que Rondônia passou a ampliar sua presença dentro do cenário nacional da observação de aves, levando ao público informações técnicas, roteiros inéditos e o potencial ainda pouco explorado da Amazônia Sul-Ocidental.


Apresentação de novos roteiros da Amazônia Sul-Ocidental no stand principal “Destinos Silvestres”, durante os AVISTAR de 2024 e 2025. Fotos: Anne Karoline.
Ao longo dessas participações, principalmente com palestras, a presença da Proaves Rondoni contribuiu para aproximar observadores, pesquisadores, operadores e entusiastas interessados em conhecer a diversidade ornitológica da região, fortalecendo o reconhecimento de Rondônia como destino emergente para o birdwatching especializado no Brasil.
Fortalecimento institucional do birdwatching em Rondônia
Cumpre destacar que, nas edições de 2025 e 2026 do AVISTAR, a SETUR-RO garantiu espaço institucional à promoção do birdwatching de Rondônia dentro do evento, permitindo que profissionais atuantes diretamente no segmento apresentassem ao público o potencial ornitológico do estado e suas possibilidades de desenvolvimento associadas ao turismo de natureza.
Autor: Glauko Corrêa
Amazônida, biólogo e ornitólogo, fundador e diretor da Proaves Rondoni Birding. Dedica-se às Aves, birdwatching e cultura na Amazônia, unindo pesquisa, conservação e o prazer de compartilhar a beleza da natureza.
Instagram: @glaukorrea_birding | @proavesrondoni
Direitos autorais: © Proaves Rondoni Birding | Autor: Glauko Corrêa
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